
Morar na Europa: metade dos jovens quer deixar o Brasil, diz pesquisa
O desejo dos brasileiros de morar na Europa se intensificou nos últimos anos. As crises econômica, social e política, agravadas pela Coronavírus, são um dos motivadores às pessoas que desejam estabilidade financeira, melhores oportunidade de trabalho e estudo e qualidade de vida.
De acordo com a secretária-geral da Comissão de Relações Internacionais da OAB-SP, Gabriela Tiussi, a procura por dupla cidadania entre março de 2020 a março de 2021 chegou a aumentar 200% em alguns escritórios e assessorias jurídicas.
Ademais, recente estudo da FGV Social e do Atlas da Juventude apontam que 47% dos jovens entre 15 e 29 anos dos 50 milhões de jovens nessa faixa etária estariam dispostos a sair do país em busca de melhores oportunidades. Para jovens nesta idade, uma das possibilidades de morar na Europa, é obter a cidadania italiana, visto que ela abre as portas para países da União Europeia e dos Estados Unidos.
Os estudos incluem o histórico de pesquisas quantitativas do IBGE (como PnadC e Pnad Covid-19), no Brasil, e números da World Gallup Poll e das Nações Unidas, contemplando vários países, além de levantamentos qualitativos com aproximadamente 2.600 jovens brasileiros.
Cidadania italiana pode ser um facilitador
Aos que gostariam morar na Europa, a Itália está dentre os destinos mais desejados. Afinal, o número de descendentes italianos no Brasil é grande. De acordo com a Fondazione Migrantes, que organiza o Rapporto Italiani nel Mondo (Italianos no Relatório Mundial) o Brasil é um dos países com o maior número de descendentes de italianos no mundo. São cerca de 30 milhões de brasileiros.
Já o Istituto Nazionale di Statistica (Istat), diz que entre 2015 e 2019 houve um aumento de 300%. Somente em 2019 – dados mais recentes divulgados –, 10.762 brasileiros requisitaram cidadania.
Em dezembro de 2019, haviam 5.306.548 cidadãos estrangeiros inscritos no cartório da Itália. Isso significa 8,8% do total da população residente, com um acréscimo de 47 mil unidades (+ 0,9% frente ao ano anterior).
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Por que morar na Europa?
O relatório da FGV Social e do Atlas da Juventude revela que 27,1% dos brasileiros entre 15 e 29 não estudam e também não trabalham e 70% têm dificuldade de encontrar emprego. Estes jovens fazem parte dos chamados “nem-nem”. Isto é, que não trabalham e nem estudam.
A questão, entretanto, foi agravada com a chegada do Covid-19. A desocupação de jovens nessa faixa etária saltou de 49,4% para 56,3% no começo da pandemia. Com isso, o Brasil é o país da América Latina onde os jovens veem menos chances de progredir no trabalho. 51,9% acreditam que o Brasil é um país pobre.
É possível perceber o aumento dos números quando se comparado a um levantamento da Datafolha de 2018. O desapontamento com a falta de perspectiva dos brasileiros em relação ao futuro do país era de 32% dos brasileiros. Para eles, eles, a economia iria piorar. 46% deles consideraram que o desemprego iria aumentar. Nesse sentido, mais da metade (51,9%) agora enxerga o Brasil como um país pobre.
De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, “o salto nessa percepção chega a quase 40 pontos desde 2014, quando o Brasil mergulhou numa recessão que se estendeu até 2016 —seguida de um período de baixo crescimento de 2017 a 2019 e da pandemia, a partir de 2020”.
A matéria mostra que a aprovação dos jovens brasileiros a respeito de como o país é governado despencou de 60,6% até meados da década passada para 12,1% mais recentemente. Na média mundial, a taxa tem se mantido próxima a 57% há quase dez anos. Os dados são do Gallup World Poll.
Insegurança aumentou entre brasileiros
O Gallup World Poll mostra que o país que registrou o maior medo da violência foi o Brasil. Quase 83 por cento dos brasileiros se dizem muito preocupados em ser vítima de um crime violento. Motivo este que consideram como o maior risco que enfrentam diariamente.
A violência é vista como o maior risco para a segurança diária em 49 dos 142 países pesquisados pelo Mundo. Sentimentos de segurança caíram mais na América do Sul do que em qualquer outra região, com mais de 50 por cento da América do Sul relatando que eles se sentiram menos seguros em 2019 em comparação com 2014.
Por outro lado, a sensação de segurança tem sido relativamente estável na Europa. Lá, a maioria das pessoas se sente tão segura hoje quanto há cinco anos. 57 por cento relatou que não houve nenhuma mudança nos sentimentos de segurança entre 2014 e 2019.
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